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Amor à Mãe Divina
A Dança - Pablo Neruda
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou seta de cravos que propagam o fogo: amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.
Amo-te como a planta que não floriu e tem dentro de si, escondida, a luz das flores, e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo o denso aroma que subiu da terra.
Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te siplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és, tão perto que a tua mão no meu peito é minha, tão perto que os teus olhos se fecham com o meu sono.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
-------------------- ;)
"Entre os cometas é a Primavera do espaço,
A desabrochar suas meigas lótus pelo Universo.
Cintilante, estrelinha, sorriso de menina,
eu te saúdo, em Mim e em Ti,
querida Mamãezinha..."
Sepe ;)
Escrito por sepe às 01h45
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Osho - Argumentação e Repressão
(...)Ouçam, eu escutei essa:
“Um homem está se afogando.
_Socorro, não sei nadar! _ ele gritava. _ Não sei nadar!
_Eu também não sei _ disse um velho sentado na margem do rio, mascando fumo. _ Mas não estou gritando para todo mundo ouvir!”
Então isso é perfeitamente racional: " Por que você está gritando para todo mundo? Você não sabe nadar, nem eu, portanto fique quieto". Mas você está sentado na margem e ele está no rio: a situação é diferente, o contexto é diferente.
Quando Buda diz alguma coisa, você pode repetir a mesma coisa, mas o contexto é diferente. Quando Maomé diz alguma coisa, você pode repetir exatamente a mesma coisa. Mas não vai significar a mesma coisa, porque o contexto é diferente. E o contexto é importante, não o que você diz. Não é o que você diz, mas quem é você é o que importa.
Outra que escutei:
“Donnegan sentou-se no confessionário:
_ Padre _ ele gemeu _ fiz uma coisa tão errada, o senhor vai me expulsar da Igreja.
_ O que você fez, meu filho? _ indagou o padre.
_ Ontem _ disse Donnegan _ vi a minha esposa rebolando na minha frente e fiquei tão excitado que a agarrei, arranquei-lhe a roupa, atirei-a no chão e fiz sexo com ela ali mesmo.
_ Isso é um pouco incomum _ admitiu o padre _ mas não há motivo para excomunhão.
_Tem certeza que de que não vai me expulsar da Igreja?
_ É claro que não.
_Bem - concluiu Donnegan _ eles nos expulsaram do supermercado!”
---------------- ;)
(...)Outro dia me contaram:
“De tempos em tempos, os santos recebem autorização para visitar a Terra disfarçados. Santa Teresa havia muito queria conhecer Hollywood, mas Gabriel, que era encarregado da escala de serviço, considerou que até mesmo um santo não seria capaz de sair incólume depois de visitar a capital do cinema.
Por fim, no entanto, Santa Teresa conseguiu persuadi-lo de que nada de mal lhe aconteceria e partiu na primeira nuvem com destino à Terra.
As semanas se passaram, e depois de meses, sem nenhuma notícia da terra, então um dia, preocupado, Gabriel telefonou para Los Angeles. A ligação foi completada, o telefone soou e finalmente uma voz atendeu:
_Aqui é Terry... quem fala? Gabby, querido! Que maravilha receber uma ligação sua! ;)
Os seus assim chamados santos apenas evitam o mundo. Eles são seres reprimidos. Se forem criadas oportunidades para liberá-los, eles vão cair muito mais baixo que você. Eles estão apenas de alguma forma se guardando por causa do medo do inferno e da cobiça pelo céu. Mas o que quer que você tenha reprimido por causa do medo ou da cobiça permanece lá. E não só permanece, torna-se antinatural, pervertido, aprofunda-se em esferas da sua consciência e do inconsciente. E então torna-se muito difícil desenraizá-los.
PS: Hahaha, esses são dois trechos do excelente livro: Intuição (Edt. Pensamento). Recomendo bastante a leitura dos livros do Osho. Um cara muito além do seu tempo. Claro que discernimento é sempre importante, mas garanto: ler Osho é uma das coisas que eu conheço que mais faz bem a consciência...
Pra finalizar, uma frase atribuída a esse herege de cabeça, coração e alma: " Se Jesus tivesse vivido em nosso tempo, seria executado, e as pessoas passariam a usar cadeiras elétricas, ao invés de crucifixos no pescoço..."
Sepe ;)
Escrito por sepe às 00h41
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Assim Falava Zaratustra - Ler e Escrever
“De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.
Não é fácil compreender sangue alheio: eu detesto todos os ociosos que lêem.
O que conhece o leitor já nada faz pelo leitor. Um século de leitores, e o próprio espírito terá mau cheiro.
Ter toda a gente o direito de aprender a ler é coisa que estropia, não só a letra mas o pensamento.
Noutro tempo o espírito era Deus; depois fez-se homem; agora fez-se populaça.
O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado. Nas montanhas, o caminho mais curto é o que medeia de cimo a cimo; mas para isso é preciso ter pernas altas. Os aforismos devem ser cumieiras, e aqueles a quem se fala devem ser homens altos e robustos.
O ar leve e puro, o próximo perigo e o espírito cheio de uma alegre malícia, tudo isto se harmoniza bem.
Eu quero ver duendes em torno de mim porque sou valoroso. O valor que afugenta os fantasmas cria os seus próprios duendes: o valor quer rir.
Eu já não sinto em unísono convosco; essa nuvem que eu vejo abaixo de mim, esse negrume e carregamento de que me rio, é precisamente a vossa nuvem tempestuosa.
Vós olhais para cima quando aspirais a vos elevar. Eu, como estou alto, olho para baixo.
Qual de vós pode estar alto e rir ao mesmo tempo?
O que escala elevados montes ri-se de todas as tragédias da cena e da vida.
Valorosos, despreocupados, zombeteiros, violentos, eis como nos quer a sabedoria. É mulher e só lutadores podem amar.
Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?
A vida é uma carga pesada; mas não vos mostreis tão contristados. Todos somos jumentos carregados.
Que parecença temos com o cálice de rosa que treme porque o oprime uma gota de orvalho?
É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor.
Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.
E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.
Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.
Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito da gravidade. Por ele caem todas as coisas.
Não é com cólera, mas com riso que se mata. Adiante! Matemos o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; por conseguinte não quero que me empurrem para mudar de sítio.
Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora vive em mim um Deus”.
Assim falava Zaratustra.
PS: O livro "Assim Falava Zaratustra" é considerado uma das melhores obras de Nietzsche. Nesse livro, ele vai lentamente destruindo tudo em matéria de pensamento, religião, filosofia, ideologia, moralismo, ética, cultura, política, psicologia, é incrível... A primeira vez que li esse texto, um dos muitos que compõem a primeira parte do livro, fiquei encantado. Comecei a dar risada no metrô, depois me emocionei e meus pêlos ficaram em pé. Iria relê-lo mais umas dez vezes durante o dia... Releia-o também! Perceba, sinta a poesia, pense...
"O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado...”
Sim Nietzsche! Esse texto você escreveu com sangue, e do sangue nasceu o espírito dele. A humanidade presta homenagens...
"Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar..."
Grande Abraço - Fernando Sepe *)
Escrito por sepe às 23h42
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Assim Falava Zaratustra - Sobre a Castidade
“Amo o bosque. É difícil viver nas cidades; nelas abundam fogosos demais.
Não vale mais cair nas mãos de um assassino do que nos sonhos de uma mulher ardente?
Se não, olhai para esses homens; os seus olhos o dizem; nada melhor conhecem na terra do que deitar-se com uma mulher.
Têm lodo no fundo da alma; e coitados deles se o seu lodo possui inteligência!
Se ao menos fosseis animais completos!
Mas para ser animal é preciso inocência.
Será isto aconselhar-vos a que mateis os vossos sentidos? Aconselho-vos a inocência dos sentidos.
Será isto aconselhar-vos a castidade? Em alguns a castidade é uma virtude; mas em muitos é quase um vício.
Estes serão continentes; mas a vil sensualidade babuja zelosa tudo o que fazem.
Até às alturas da sua virtude e até ao seu espírito os segue esse animal com a sua discórdia.
E com gentileza a vil sensualidade sabe mendigar um pedaço de espírito quando se lhe nega um pedaço de carne.
A vós outros agradam as tragédias e tudo o que lacera o coração? Pois eu olho desconfiado a vossa sensualidade.
Tendes olhos demasiado cruéis, e olhais, cheios de desejos, para os que sofrem.
Não será simplesmente porque a vossa sensualidade se disfarçou e tomou o nome de compaixão?
Também vos apresento esta parábola:
Não poucos, que queriam expulsar os demônios, se meteram com os porcos.
Se a castidade pesa a algum, é preciso afastá-lo dela, para que a castidade não chegue a ser o caminho do inferno, isto é, da lama e da fogueira da alma.
Falei de coisas imundas? Para mim não é isso o pior.
Não quando a verdade é imunda, mas quando é superficial, é que o investigador mergulha de má vontade nas suas águas.
Verdadeiramente há os castos por essência; são de coração mais meigo, agrada-lhes mais rir, e riem mais que vós outros.
Riem-se também da castidade e perguntam:
“Que é a castidade?
Não é uma loucura? Mas essa loucura não veio ter conosco, não fomos nós que a buscamos.
Oferecemos a esse hóspede pousada e simpatia: agora habita em nós. Demore-se quanto queira!”
Assim falava Zaratustra.
PS: Esse texto fala com muita propriedade sobre um assunto tão cheio de tabus e pré-conceitos que é o sexo e a castidade. Acho interessante porque ele fala com mais propriedade que todos os textos religiosos, doutrinários, ou escrito por grandes almas que li. Não defende uma ou outra idéia. Apenas diz que cada um é o que é! Mas ai(!) de você se quiser ser o que não é...
Ironia das ironias, logo o amigo Nietzsche foi quem melhor escreveu sobre a castidade da alma: "Verdadeiramente há os castos por essência; são de coração mais meigo, agrada-lhes mais rir, e riem mais que vós outros."
Mas quanto aos homens e mulheres não verdaderamente inocentes, ele adverte: "Em alguns a castidade é uma virtude; mas em muitos é quase um vício". A Igreja e seus padres pedófilos que o digam. O Ocidente também diz, com a repressão da sexualidade, onde ser casto virou sinônimo de ser Santo...
"Aconselho-vos a inocência dos sentidos."
Escrito por sepe às 22h52
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Sabedoria Oriental - Parte III
Poeira
O salão de meditação (zendo) vivia empoeirado, e Chao-chou costumava varrê-lo, assim como ao pátio em frente. Certa vez perguntaram a Chao-chou:
_Por que, mestre, este santo "zendo" está sempre atraindo tanta poeira?
Chao-chou exclamou:
_ Oh, veja! Ali está outro grão de poeira!!
Garotas
Tanzan e Ekido certa vez viajavam juntos por uma estrada lamacenta. Uma pesada chuva ainda caía, dificultando a caminhada. Chegando a uma curva, eles encontraram uma bela garota vestida com um quimono de seda e cinta, incapaz de cruzar a intercessão.
_ Venha, menina - disse Tanzan de imediato. Erguendo-a em seus braços, ele a carregou atravessando o lamaçal.
Ekido não falou nada até aquela noite quando eles atingiram o alojamento do Templo. Então ele não mais se conteve e disse:
_ Nós monges não nos aproximamos de mulheres - ele disse a Tanzan. Especialmente as jovens e belas. Isto é perigoso. Por que fez aquilo?
_ Eu deixei a garota lá - disse Tanzan. Você ainda a está carregando?
O Silêncio Completo
Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas.
Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou.
O primeiro monge disse: _ Oh, não! A vela apagou!
O segundo comentou: _ Não tínhamos que ficar em silêncio completo?
O terceiro reclamou: _ Por que vocês dois quebraram o silêncio?
Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso: _ Aha! Eu sou o único que não falou!
Momentos
Sepeakiu estava meditando junto de seu discípulo Laizen, quando disse:
_Veja! – E apontou para o nada.
_Onde?
_Passou...
Três horas mais tarde, Sepeakiu disse:
_Vamos dar uma volta Laizen, conversar um pouco sobre o instante...
PS: Quem quiser conhecer um pouco mais o Zen Budismo, e sua forma peculiar de transmitir ensinamentos, dê uma olhada nos excelentes sites: http://www.dharmanet.com.br/zen/ http://www.bugei.com.br
Esses textos são bem legais, poéticos e engraçados. Aviso: Não raciocine! Sinta...Ah, aproveite e dê uma risadas ;)
Sentado quietamente, Nada fazendo, A primavera vem, A grama cresce por si.
— Zenrin Kushû
Escrito por sepe às 20h59
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Sabedoria Oriental - Parte II
Apenas Duas palavras
Havia um certo monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior.
_ Passaram-se dez anos - disse o monge Superior _ Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?
_ Cama dura... - disse o jovem. _ Entendo... - replicou o monge Superior.
Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior. _ Passaram-se mais dez anos - disse o Superior _ Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?
_ Comida ruim... - disse o monge. _ Entendo... - replicou o Superior.
Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou:
_ Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos? _ Eu desisto! - disse o monge. _ Bem, eu entendo o porquê - replicou, cáustico, o monge Superior _ Tudo o que você sempre fez foi reclamar!
Baso e o nariz
Certo dia Baso passeava em companhia de seu jovem discípulo Hyakujô. A certa altura do passeio, viram uma revoada de patos selvagens. Baso perguntou então a Hyakujô:
_ Que é aquilo, Hyakujô?
_ São patos selvagens, Mestre - disse o jovem.
_ E para onde vão?
_ Vão-se embora, voando... - replicou Hyakujô, fitando o céu, pensativo.
Então Baso agarrou o nariz de seu discípulo com toda a força, dando um forte puxão. Hyakujô gritou:
_ Aaaai!
Baso exclamou: "NÃO FORAM EMBORA COISA NENHUMA!"
Ao ouvir isso, Hyakujô obteve o Satori.
Parábola Buda
Certa vez, disse o Buda uma parábola:
Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço.
Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto. Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.
"Que delícia!", ele disse.
Não Entendi
Certa vez Yomi perguntou a seu mestre, Sepeakiu, sobre o que era o Satori:
_Vê o cair das gotas do orvalho? Segue o fluxo do rio de águas calmas e sorri!
_Desculpe mestre, mas não entendi ...
_Nem eu!
E Yomi vivenciou pela primeira vez o Satori...
Escrito por sepe às 20h22
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Sabedoria Oriental
O Tao
Um monge perguntou a Wei-kuan: - Onde está o Tao?
Kuan: - Bem na nossa frente.
Monge: - Por que eu não o vejo?
Kuan: - Você não o vê por causa do seu egoísmo.
Monge: - Se eu não posso ver por causa do meu egoísmo, será que o senhor pode vê-lo?
Kuan: - Enquanto houver ‘eu’ e ‘tu’, a situação se complica e não há visão do Tao.
Monge: - Quando não há nem ‘eu’ nem ‘tu’ existe a visão do Tao?
Kuan: - Quando não há nem ‘eu’ nem ‘tu’, quem está aqui para vê-lo?
Perguntas
Certa vez, Mokuro perguntou a seu mestre Sepeakiu:
_Mestre, tenho meditado muito, penso estar preparada... Passe-me a doutrina suprema!
_ Tudo bem, mas primeiro me responda: Qual é o barulho produzido quando se bate palma com uma só mão?
_Mas isso é impossível...
_Resposta errada. Segundo: O que é um rio, sem a sua outra margem?
_Um oceano!
_Hahahaha, resposta criativa, mas errada! Terceiro: O que é a Iluminação?
_ O Buda!
_ Não, infelizmente você errou as três perguntas.
_Mas então, quais são as respostas corretas?
_ ...
Baso e a Meditação
Quando jovem, Baso praticava incessantemente a Meditação. Certa ocasião, seu Mestre Nangaku aproximou-se dele e perguntou-lhe:
- Por que praticas tanta Meditação?
- Para me tornar um Buda.
O Mestre tomou de uma telha e começou a esfregá-la com um pedra. Intrigado, Baso perguntou:
- O que fazeis com essa telha?
- Pretendo transformá-la num espelho.
- Mas por mais que a esfregueis, ela jamais se transformará num espelho! Será sempre uma pedra.
- O mesmo posso dizer de ti. Por mais que pratiques Meditação, não te tornarás Buda.
- Então o que fazer?
- É como fazer um boi andar.
- Não entendo.
- Quando queres fazer um carro de bois andar, bates no boi ou no carro?
Baso não soube o que responder, e então o Mestre continuou:
- Buscar o Estado de Buda fazendo apenas Meditação é matar o Buda. Dessa maneira, não acharás o caminho certo.
Escrito por sepe às 20h18
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Sara, a Mãe do olhar Infantil - Parte II
E lá fui eu dançar no meio daquele povo. Até que não era tão difícil aprender seus passos. Vamos lá, vou botar minha alma nessa dança...
Nisso, minha visão começa a turvar-se um pouco, e vejo junto deles, os velhos negros da antiga África, a dançarem imitando os movimentos da natureza... Vejo também índios e índias, a chacoalharem bem alto seus maracás. Vejo as orientais com seus esvoaçantes véus...
Aquilo se torna uma mistura de povos e raças, culturas diversas... Não se fala mais nenhuma língua, apenas a universal língua do amor, da celebração e da alegria. Lindo, lindo demais...
Lá em cima, a Mãe continua a dançar... “São todos irmãos... Meus Filhos queridos!”
Sim, somos todos irmãos, filhos da Mãe do mundo! Obrigado, Mãe querida...
Sara, que brilha entre o Sol e a Lua, dançando no Cosmos;
Mãe do Povo Cigano, mas Mãe de toda a hUManidade também;
Que seu Ser seja em meu coração, palavras e mente,
Por hoje e todo sempre!
Mãe, sopra seu vento de bênçãos por todos esses povos,
Que esqueceram a alegria do dançar,
Perdendo-se nas diferenças
Da cor, da raça e do falar.
Mãe do Mundo, negra como a noite;
Reluzente e branca como o dia;
Brilha, brilha e brilha,
No nascer e renascer de uma nova filha!
Primavera das flores!
O nascer de um sorriso!
Encantos de Sara,
A Mãe do olhar infantil...
PS: Esses escritos são dedicados a todo o povo cigano e a Mãe Divina deste povo, Santa Sara Kali. Hoje, fui fazer um ritual aqui em casa para Ela, pedindo bênçãos para o lar. Mas na hora, desceu sobre minha cabeça uma onda de amor tão grande, que num consegui pedi nada para mim, apenas para o mundo. Sabe, a gente vive a pedir muitas coisas pra si mesmo, julgando nossas necessidades muito grandes. Mas não conseguimos olhar as necessidades muito maiores de outros a nossa volta.
O mesmo com a prosperidade. Existem muitas pessoas que a tudo tem, mas são pouco prósperas. E outras que muito pouco tem, mas são bem prósperas. Isso é uma verdade, pode soar como uma moral tola, mas basta você observar. O Mundo está cheio de exemplos assim...
Devo confessar que pouco, ou nada conheço sobre ciganos, sua cultura e costumes. Mas sei também que isso pouco importa, e hoje tive uma das mais belas experiências da minha vida, dançando e cantando em sintonia com a egrégora desse povo. Por isso, aqui fica meu muito obrigado... ;)
OPTCHÁ - Fernando Sepe, 23:30 P.M. - 24 de maio de 2006
Escrito por sepe às 00h03
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Sara, a Mãe do olhar Infantil
Nas estrelas eu vejo o seu rosto, crepitando entre o brilho do fogo cósmico...
Aqui na terra, a fogueira também crepita seu fogo mundano, e as pessoas cantam e dançam ao seu redor. São alegres e vistosos, belas e coloridas...
Cantam lindas músicas, em uma antiga língua que desconheço. Essa música vai viajando pelo espaço, como que dotada de asas luminosas, embalando a dança daquela que a tudo vê, e a tudo vela, lá do alto. Aqui embaixo o povo dança e canta. Lá em cima, a Mãe dança e sorri...
Quantas vezes, em meus sonhos e em minha mente, eu vi o povo negro, com seus antigos rituais, dançando em volta de uma fogueira, a lhes aquecer o coração dolorido. Sim, eles dançavam e cantavam aos seus Deuses, cantavam as belezas da antiga África, celebravam as forças da natureza. Isso faz parte de mim, ainda trago essas lembranças.
Mas esse povo que agora vejo é tão diferente, mas ao mesmo tempo, tão igual. São mais coloridos, mas tão festivos e alegres quanto. São livres, pois todos os povos quando dançam são livres. Essa liberdade é a própria divindade manifesta. Manifesta em gestos de alegria.
Ciganos são como eles se chamam. Para mim um povo estranho. Não conheço seus costumes, suas regras, sua cultura ou religião. Mas... Agora que os vejo dançar, não os acho tão diferentes!
Não entendo sua língua, mas sei que suas canções enaltecem a beleza da vida. Não entendo seus gestos e sua dança, mas sinto a alegria vibrar em meu ser. E, olhando lá em cima, vejo Ela! A Mãe...
Todos os povos têm a sua Mãe. É a Mãe do Mundo, a Mãe do Cosmos, a Mãe Divina. A personificação feminina do Criador.
É ela quem eu contemplo, dançando entre o fogo cósmico, embalando e velando por todo aquele ritual. É Sara, a Santa Negra, a Santa Kali!
Seus olhos são singelos, talvez os mais singelos que já vi. São os olhos de uma menina-criança. É charmosa, é meiga, seu fogo é abrasador. Sinto-o agora queimar tão perto, dentro do meu coração. Pelo jeito, aquelas pessoas também sentem.
Seus cabelos ondulados dançam por si só, seu sorriso, que se confunde com o brilho das estrelas, parece-me a própria Deidade da beleza.
Ah Sara, mãe Divina dos ciganos, Mãe daqueles que não tem pátria, não tem moradia, mas que tem a liberdade. Mãe de um povo excluído, mas que de seus seios gera forças para eles continuarem a viver. Mãe dessas lindas mulheres, que parecem imitar seus movimentos Criadores. Mãe desses homens honrados e corajosos. Mãe desse povo que respeita os velhos, e ensinam as crianças a viverem pela religião do sorriso...
Na minha mente as cenas vão se multiplicando, uma após a outra, como um filme. Mas não consigo mais tirar minha atenção lá do alto. A Mãe tem muitas faces, e Sara é uma delas...
No coração ouço uma voz. E ela me diz para eu me juntar a eles:
“Não existe povo, ritual, cultura, que esteja acima do amor e alegria que embalam a vida. Você não os conhece, você não dança como eles, mas sorri e ama como eles. São iguais, Meus filhos queridos. Vá lá, junte-se com seus novos-velhos irmãos. As barreiras que o homem ergue a própria volta, apenas servem para uma coisa: serem derrubadas. Vai filho...
(Continua...)
Escrito por sepe às 00h03
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Intuição
(...) Eu tenho observado, conhecendo milhares de pessoas, que a maior parte dos intelectuais não são inteligentes porque eles não precisam ser inteligentes. O seu intelecto, o seu conhecimento é suficiente. Mas um homem que não tem conhecimento, não tem intelecto nem educação, tem de buscar a inteligência dentro de si mesmo; ele não pode olhar para fora. E porque ele tem de depender da inteligência, a inteligência começa a crescer.
Assim, a intuição tem algo semelhante ao intelecto, mas não é intelectual. Ela é inteligência.
(...) Na Índia, há uma mulher, Shankuntala, que esteve em quase todas as universidades ao redor do mundo, exibindo sua intuição. Ela não é uma matemática, não é nem mesmo muito instruída _ ela é formada apenas no colegial. Até mesmo quando Albert Einstein era vivo, ela deu uma demonstração para ele. E a demonstração dela foi estranha. Sentou-se com um giz na mão, na frente do quadro-negro; as pessoas faziam-lhe qualquer tipo de pergunta sobre matemática ou aritmética, e mal haviam terminado a pergunta ela já começava a escrever a resposta.
Albert Einstein deu um certificado para ela _ ela mostrou o certificado quando eu estive em Madras, onde ela mora. Ela me mostrou todos os seus certificados, e o de Albert Einstein dizia: “Fiz a essa mulher uma pergunta que levei três horas para responder porque tive de seguir um método; não posso passar direto da pergunta à resposta. Eu sei que ninguém pode fazer isso em menos tempo do que eu, e esse tempo é três horas. Outros podem levar até seis horas ou mais, mas eu posso fazê-lo em três horas, porque já fiz antes. Mas todo o procedimento tem que ser seguido. Se você deixar de cumprir uma única etapa...” Os números eram tão grandes que ela precisou de todo o quadro-negro para escrever a resposta. E antes mesmo que ele tivesse terminado a pergunta, ela começou a escrever a resposta...
(...) Havia um rapaz, Shankaran, que puxava um riquixá na cidade, e um professor de matemática, um inglês, que costumava tomar o riquixá do rapaz para a universidade. Uma ou duas vezes aconteceu do professor estar pensando sobre um problema e o rapaz simplesmente olhar para ele e dizer: “A resposta é esta”. O professor não havia falado _ ele estava pensando _ e o rapaz puxando o riquixá, mas dissera: “ A resposta é essa”.
O professor ia para universidade resolvia todo o problema e ficava surpreso ao descobrir que a resposta era aquela mesmo. Quando aquilo aconteceu duas ou três vezes, ele perguntou ao rapaz:
_Como você faz isso?
_Eu não faço nada. Apenas sinto você atrás de mim, preocupado, e alguns números começam a aparecer. Eu não tenho muita instrução, mas os números eu consigo entender. E vejo tantos números na sua mente, logo atrás de mim _ uma linha, uma fileira _ e então de repente alguns números aparecem na minha mente, então eu lhe digo que essa é a resposta. Eu não sei como acontece.
Shankaran foi enviado a Oxford pelo professor (...) Ele se tornou um fenômeno na história da matemática porque muitas perguntas que permaneciam sem solução havia séculos, ele resolveu _ainda que não soubesse dizer como. Ele dava a resposta _ mas como julgar se a resposta estava certa ou errada? Levou muitos anos. Quando foi desenvolvida uma matemática superior, então puderam resolver o problema. Shankaran morreu, mas as suas respostas estavam certas,
A intuição funciona num salto quântico.
Ela não tem procedimento metodológico, simplesmente vê as coisas.
Ela tem olhos para ver.
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Esses relatos foram retirados do excelente livro: Intuição - Osho Rajneesh – Editora Pensamento-Cultrix. Achei muito legal, pois demonstra bem a natureza da intuição, que não segue ordem, metodologia ou etapas... Ela apenas ACONTECE!
Sim, todos nós somos intuitivos. É certo que alguns mais e outros menos, mas mesmo assim todos temos um pouco de intuição. Acontece que essa faculdade tende a não ser muito trabalhada pelas pessoas. Somos ensinados a sermos “lógicos-racionais” na vida. Fora isso, apenas existe a loucura... Mas é na loucura que está a intuição!
Logo, enlouqueça um pouco. Enlouquecer quer dizer: quebrar as barreiras do senso comum, ir além do pobre intelecto humano! Abrir-se para o Todo! Na verdade, a intuição acontece quando você acessa o conhecimento universal que está aí, dentro de você.
Intuição é uma união com o Todo. Quanto mais a pessoa está unida com o Todo, mais intuitiva ela é. Jesus, Krishna e Buda talvez tenham sido as pessoas mais intuitivas que passaram por aqui. Tudo que eles falavam, jorrava da mesma fonte, e eles acessavam isso através da intuição. Se você pegar os ensinamentos de Buda, o Bhagavad Gita e o Evangelho, verá que os três beberam da mesma fonte. Assim como muitos outros sábios da humanidade. Pegue a sabedoria dos Rishis condensados nos Upanishads, agora compare com a sabedoria dos muitos “Tzus” da antiga China. Todos eles beberam da mesma fonte. Uns chamam de Brahman, outros de Tao, outros não dão nomes, mas no fim, falamos da mesma coisa...
Todos esses homens eram muito unidos ao Todo e, através da intuição, não agiam, ERAM. Não amavam, eram AMOR! Não eram sábios, mas sim personificavam a própria SABEDORIA!
A intuição é o superconsciente humano, é aquilo que está além do intelecto, é a ferramenta mais avançada da consciência. Em alguns lugares do Universo, pensar é muito lento, mas muito mesmo. Nesses lugares não existe pensar, apenas SER...
Alcançar as estrelas e tocar o início do Cosmos com a alma... Intuição não se explica, apenas se entende!
Abraços - Fernando Sepe
Escrito por sepe às 21h31
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Hotaru no Haka - Tonari Totoro - Parte II
"Eles não podem ver!" - Mei e Satsuke
Tonari Totoro (algo como: Meu Vizinho Totoro, mas que no Brasil foi traduzido como “Meu Amigo Totoro”) é a animação mais conhecida e popular dos estúdios Ghibli no Japão (tanto é que Totoro se transformou no mascote e logo da empresa). Criado em 1988, foi exibido nos cinemas em uma sessão dupla, junto com Hotaru no Haka. Mas muito diferente de seu filme "irmão", Totoro é uma fábula mágica...
Desenvolvida pela mente do mestre Hayao Miyazaki, Totoro é um filme simples, sem história complexa ou cenas de grande cunho dramático. E é na simplicidade que reside seu maior encanto. Eu diria que ele parece ser um filme "feito por criança" para adultos...
Conta a história de uma família que se muda para uma nova casa. As irmãs Mei e Satsuke certo dia encontram uma criatura mágica chamada Totoro, um guardião da floresta. E é dessa premissa que o filme se desenrolará, como uma história contada pela visão e imaginação de duas crianças.

Um filme que versa sobre a alegria, o encanto e a fantasia, que muitas vezes perdemos quando nos "tornamos" adultos. É impossível não sorrir e se apaixonar pela história. É como uma viagem interna, um despertar da criança interior...
Dizem também que muito desse filme é uma autobiografia de Miyazaki, como o fato da mãe das meninas encontrar-se em um hospital, fato que aconteceu com a mãe de Miyazaki por nove anos, durante a infância dele, devido a uma tuberculose espinhal.
Totoro foi lançado no Brasil e pode, muito raramente, ser encontrado em alguma loja especializada, no formato VHS. Para quem não dispor do tempo de procurar, ele pode ser baixado no site: www.seizu.com.br através do sistema de torrents.
Sou suspeito para falar das obras dos Estúdios Ghibli, pois sou um grande fã e admirador. Essa dupla Hotaru-Totoro são meus dois filmes favoritos, juntos com Nausicca e Chihiro. Mas outras obras de igual valor existem, como Mononoke Hime, Laputa, Porco Rosso, Moving Castle, etc... Se você não conhece, conheça! Orun Ananda recomenda! Hehehe...
E agora em Julho, já podemos esperar mais uma obra incrível, com o lançamento mundial de "Gedo Senki" (Tales from Earthsea), o mais novo filme dos estúdios Ghibli, dirigido por Goro Miyazaki, filho de Hayao. Quem quiser pode conferir os detalhes da produção e trailers em: http://www.nausicaa.net/
Grande abraço *)
Fernando Sepe – Dando uma de crítico de animes, admirador incondicional de Miyazaki-sensei e de todos os filmes dos estúdios Ghibli. Ah, e para os espiritualistas e projetores de plantão, Totoro é extremamente projetivo e sua exibição altera bastante a energia do ambiente para melhor. Fica aqui a dica disso também ;)

Tonarina Totoro Totoro Totoro Totoro (Meu Vizinho Totoro)
Tsukiyo no ban ni okarina fuiteru (Tocando uma ocarina nas noites de luar)
Tonarina Totoro Totoro Totoro Totoro (Meu Vizinho Totoro)
Moshi mo aeta nara (Se você alguma vez encontrá-lo)
Suteki-na shiawase ga (Uma sorte muito estrondosa)
Anata ni kuru wa (Virá para você)

Escrito por sepe às 10h14
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Hotaru no Haka - Tonari Totoro - Parte I
Por que os vaga-lumes morrem tão cedo? – Setsuko
Hotaru no Haka (O Túmulo dos Vaga-lumes - 1988) é uma das obras máximas dos conhecidos estúdios Ghibli. Mas esse filme não tem a pena do fantástico Hayao Miyazaki, mas sim, de seu grande parceiro (e também gênio) dentro da animação: Isao Takahata.
Baseado em uma história real (no livro autobiográfico de Akiyuki Nosaka, sobrevivente da Segunda Guerra Mundial) esse filme é uma daquelas peças raras, seja do cinema ou da animação, que nos faz pensar e refletir por muito tempo...
Ele conta a história da vida do jovem Seita e de sua irmãzinha menor Setsuko. Os dois perdem a mãe durante um ataque aéreo ao Japão e o pai está viajando em combate (Segunda Guerra Mundial). A vida dessas duas crianças passará por grandes transformações à partir de então...
O filme lembra em alguns momentos o excelente "A Vida é Bela", de Roberto Benigni, onde a fantasia e alegria se sobrepõem a tristeza, mesmo em circunstâncias extremamente trágicas. O filme traz muito dessa mensagem de esperança e valorização das coisas simples da vida, além do relacionamento entre Seita e Setsuko ser um show à parte.
Esse é um dos filmes mais tristes que já vi. Chega a ser tão triste que você não tem nem coragem de chorar, chorar seria pouco... Apesar disso, ele não cai na pieguice ou na apelação sentimental, graças a bela direção de Takahata.

Questões psicológicas profundas são abordadas também, e se em um primeiro momento você julgará muitas pessoas como "más", mais a frente, você pensará se naquela situação não agiria da mesma forma. A exploração do lado negativo do ser humano e do que ele é capaz de fazer para sobreviver são também um dos alicerces e pontos fortes do filme.
A animação é fenomenal, com personagens extremamente bem construídas. Setsuko, a irmã mais nova de Seita, com certeza é uma das melhores crianças já feitas em desenho, ou mesmo representadas em algum filme. Dublada por uma menina de cinco anos, o resultado é incrível.
Finalizando, Hotaru no Haka é um belíssimo filme. Obra-prima dos Estúdios Ghibli. Extremamente poético, com cenas impressionantes e marcantes, como a pequenina Setsuko jogando "jokempô" com seu próprio reflexo na água. Infelizmente esse filme nunca foi lançado no Brasil, mas pode ser achado na Internet em sites especializados em anime. (no site: http://www.seizu.com.br/ ele está disponível para download pelo sistema de torrents).
Deixo na seqüência, um texto comentando sobre outra obra máxima da animação japonesa: Tonari Totoro (Meu Vizinho Totoro). Em 1988 os estúdios Ghibli lançaram esses dois filmes em conjunto. Por Hotaru no Haka ser muito dramático e triste, após sua exibição, os cinemas exibiam Totoro para contrabalançar, afinal, Totoro é com certeza um dos filmes mais alegres e divertidos de todos os tempos...

Escrito por sepe às 09h42
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Monólogo de um Vampiro Psíquico - Francisco Aldebaran
“Sou o Espírito da treva, a Noite me traz e leva; moro à beira irreal da Vida...".
Eu sou o mais tenebroso de todos os Vampiros.
Não sinto gozo somente perfurando sensíveis membranas de jugulares virginais para sentir o sabor de hemoglobina. Embora algum débil tenha afirmado que "a alma da carne esteja no sangue", e que sangue é vida, no meu entendimento psicossomático, vejo a manifestação da alma na mente, e ela é minha!
Não preciso sujar minhas presas, nem beber sangue, para sugar a seiva anímica de alguém.
Para manter a minha eternidade, Eu sugo almas, esta é uma forma mais refinada de alimentação.
Meu prazer consiste em devorar os centros; intelectual, motor, instintivo, emocional e sexual de cada ser humano. Invado as profundezas de cada vítima, em busca da pedra oculta.
Ao drenar estes centros, tenho o poder de criar ilusões, manipular, ler pensamentos...
Tenho visão telepática, e utilizo a arte psicomântica e o poder de cura, e de destruição para o meu benefício.
Como os outros Vampiros, sou capaz de me transformar em qualquer espécie de animal: morcego, lobo, cão, pássaro... Bem como em criaturas estranhas e imaginárias.
Intimamente, sou o Leão que ruge, procurando a quem devorar. No entanto, prefiro me transformar num homem comum, ou no líder religioso, no político eloqüente, ou nas letras escritas por um ávido Escritor.
A cruz, A Bíblia e o alho não me afugentam. Pelo contrário, bebo água benta para aliviar minhas ressacas, e nas procissões Eu sou o Luciferário.
Sou um manipulador da fé, pois dessa forma consigo atrair mais vítimas. Monto belíssimas igrejas e ofereço conforto espiritual e material em programas de televisão, tudo em nome de Deus.
Nenhuma Lei dita sagrada é verdadeira para mim; nenhum dogma consegue deter minha voz.
"Eu deixo para trás todas as normas que não levam ao meu sucesso e alegria terrenos. Eu me ergo impassível comandando a invasão da lei do mais forte!
Eu olho dentro dos olhos vítreos do seu terrível Deus e o agarro pelas barbas; eu ergo um machado e então racho seu crânio devorado por vermes!
Eu me liberto do sepulcro formado por conteúdos doentes de filosofias vãs e gargalho com um sarcasmo cheio de ira".
Gosto de me aproximar, de abraçar, de apertar as mãos de minhas vítimas. Para inflar o meu peito em ardente escárnio.
Sejam eleitores imbecis ou fiéis idiotas, sempre os trato com o carinho de uma mãe para com o seu filho único, antes de devorá-los.
Proporciono à minha vítima escolhida, imagens de paz e amor, bondade, prazer e luxúria. De acordo com o temperamento, proporciono as imagens que ela sempre gostaria de ver, e faço-a sonhar. E abraço-a como um amante.
Então, começo a sugá-la, não sugo muito, pois a vítima pode ficar muito debilitada. Ou até morrer, o que não é o meu objetivo, pois preciso de escravos para o meu séquito.
Quando encontro alguém que me agrada, procuro olhar fixamente nos seus olhos. Penetro vorazmente no fundo de seu inconsciente.
Ao dormir, ela passa a ter sonhos gozosos, que permanecem por alguns dias, até que cedo ou tarde, ela me convida para a sua cama.
Então, ofereço-lhe alegrias inimagináveis, paz indescritível, êxtase... A cada gemido de prazer e dor, me sinto mais forte. Esta é a minha forma preferida de exaurir.
Sem energia, sem vontade, a vida torna-se um fardo. A depressão tornar-se constante companheira. E tudo parece dar errado, quando Eu não estou presente.
Os familiares e amigos são abandonados, largados ao mofo. Os pesadelos tornam-se freqüentes. Nada neste mundo parece real.
A percepção fica alterada, e seus valores invertidos.
"As poderosas vozes da minha vingança arruinarão a calmaria do ar e se manterão como monólitos de fúria mortal sobre um solo de serpentes retorcidas. Eu me torno uma monstruosa máquina de aniquilação para aqueles fragmentos ulcerosos do corpo daquele que tentou deter-me".***
Desejo apenas que se multiplique a dor causada pela minha crueldade.
E o sono, o sono...
O belo artifício da morte começa envolver como um cobertor numa noite fria.
Então, continuará pensando que sou coisa da imaginação humana.
E como se Eu me sentisse vivo novamente, Continuarei existindo.
Na busca do amor...
Que procuro, mas não tenho por quem chorar.
Nem com quem sorrir...
O beijo...
E o corpo que por alguns instantes me fez se sentir vivo...
Não mais...
E já que não posso amar...
Agradeço por ter me convidado a entrar em sua mente.
E ter aberto a sua alma para que Eu pudesse penetrá-la devagar.
Daqui por diante, você carregará também esta lúgubre maldição.
E "Viverá! Viverá doravante sobre esta estranha ponte, que começa onde acaba a vida e termina onde começa a morte".
Pois mesmo quando Eu, quebrando a roda do Samsara, e definitivamente adentrar no fundo do abismo do espaço, sempre estarei em você, e naqueles que lerem ou ouvirem as minhas insalubres palavras.
Escrito por sepe às 08h40
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Umbanda é Universalismo Prático - Alexandre Cumino
Estes dias estava conversando com um amigo, Alfonso Odriozola na TV Espiritualista (www.tvespiritualista.com.br), e ele me dizia a respeito de um convite que recebeu para visitar uma reunião kardecista, onde foi questionado quanto a sua religião, ao que respondeu de pronto: “_Sou Umbandista”!
Alguns dos participantes se espantaram com “tamanha franqueza”, pois a maioria dos Umbandistas costumam se dizer espíritas ou espiritualistas, e quiseram saber mais sobre a Umbanda, ao que o amigo citado respondeu: “A Umbanda é a religião mais universalista que existe, na mesma gira ou trabalho espiritual você vê o espírito de um índio trabalhando ao lado de um negro africano, vemos ainda na mesma Umbanda espíritos de ciganos e também de árabes, hindus, marroquinos no que é chamado de linha do oriente, por isso a Umbanda é tão universalista, são povos de várias raças e culturas diferentes em uma mesma causa”
Assim me contou o Alfonso, que o amigo então dirigente dos trabalhos lhe disse: “Temos muito que aprender com a Umbanda”! Todos nós temos muito que aprender uns com os outros, pouco temos a aprender com o igual e muito temos a aprender com o diferente, seja de outra religião ou cultura.
Quando meu amigo e irmão na fé Nelson Pires me convidou para escrever aqui na revista disse-me: “_ É uma revista aberta, não é segmentada, podemos falar de muitos assuntos que tenham a ver com a espiritualidade” Por ser umbandista, perguntei: “Posso escrever sobre a Umbanda?” _ ao que ele respondeu: “_Claro, pode falar sobre o que você quiser, o espaço é seu” _ o que muito me honra pela confiança depositada.
E estes dias tenho pensado muito nas palavras do outro amigo que contando um acontecimento me clareou algo, que devemos falar mais sobre O Universalismo, que é um caminho, que o diga nosso outro amigo Wagner Borges (www.ippb.org.br) que sempre nos diz: “Podemos e devemos pegar o que cada religião tem de bom e descartar o que não presta” A Umbanda além de ser universalista é também um pouco de cada religião, nós somos um pouco de cada experiência que já tivemos em cada encarnação, os espíritos que militam na Umbanda como guias e mentores sabem que a cada religião mudam nossas crenças, muda nossa cultura, nossos hábitos e costumes.
Podemos encarnar como negros, brancos, amarelos ou vermelhos, não importa, “somos seres espirituais tendo uma experiência material e não o contrário”. Somos espíritos, apenas espíritos, o que nos coloca acima da carne que nos diferencia, por isso a Umbanda é universalista, pois além de reconhecer esta transitoriedade exerce a presença dos diversos em suas várias linhas ou falanges de espíritos em atuação.
Assim aprendemos a sabedoria do preto velho, a tenacidade do caboclo, a pureza da criança, o amor e alegria que os ciganos têm pela vida, o equilíbrio dos marinheiros, a destreza dos boiadeiros, a astúcia descontraída dos baianos e a lei de ação e reação vivida diariamente na pele de um guardião (exu) ou de uma guardiã (Pomba Gira). E ainda assim é pouco para falar de Umbanda, pois nem começamos a falar do Culto aos Orixás que em muito lembra o culto as divindades hindus, gregas, romanas, persas, maias, astecas, egípcias, etc...
Já dizia Caboclo Mirim: “Umbanda é a escola da Vida”, e completo eu: “Somos nós Eternos Aprendizes de Umbanda, Eternos Aprendizes da Vida”.
A Umbanda é uma religião Brasileira que surgiu no dia 15 de Novembro de 1908 através da manifestação mediúnica em um jovem rapaz, de então 17 anos, dentro da recém fundada Federação Espírita de Niterói, onde um espírito se manifestou como seu mentor dando o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas e no mesmo dia reconheceu ter sido o Clérico Gabriel de Malagrida em outra encarnação, mais aprendizado que isto, um índio que foi sacerdote cristão em outra encarnação e ainda se lembra perfeitamente.
O objetivo do universalismo é este, vai além do ecumenismo, vai além de respeitar e conviver pacificamente, vai de encontro aos ensinamentos que o diferente tem a nos passar, até que ele e eu somos UM de verdade, todos na Banda do Um, na Um Banda, o Um é nosso Criador e a Banda somos todos nós
O dia que entendermos que o próximo somos nós mesmos, aprenderemos a Amar o próximo como a nós mesmos, porque ele e nós somos UM.
Este é o caminho, este é o futuro das religiões, pois pessoas cada vez mais informadas não aceitam ter suas vidas ditadas por dogmas, regras ou tabus, e o pré-conceito cada vez cai mais por terra, à medida que vamos nos esclarecendo.
Portanto saudações ao Universalismo, saudações à Umbanda que é Universalista por natureza e não por imposição.
Um grande abraço a todos Alexandre Cumino
Escrito por sepe às 08h30
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3õ Criança Estrela 3õ
Certo dia, Yashoda, a "mãe adotiva" de Krishna, ficou surpresa ao ver o cosmos inteiro dentro da boca do bebê... Desse em dia em diante, ela compreendeu que seu querido filho era realmente um Avatar...
Krishna é aquele que está em todos os lugares, em todos os movimentos, em todo sorriso. Ele é todo alegria. Seus olhinhos são como lótus que trazem a bem-aventurança e a felicidade verdadeira. Sua flauta encanta a humanidade. Sua energia, azul clara e douradinha como os primeiros raios de Sol, embelezam e zelam por todos.
Ah Krishna, poucos aqui no Ocidente te conhecem, mas eu vejo que você os vê. Para você não existe Oriente ou Ocidente, existe apenas hUManidade...
Ele é um dos três grandes avatares da Terra. Mas de todos, ele é o mais sorridente. Sua vibração é pura alegria, pura fantasia, pura cambalhota, vôos e piadas. É o avatar Criança! Sim, aquele que quando bebezinho já tinha todo o Cosmo pulsando dentro de si mesmo...
Krishna é uma lótus de bem-aventurança. Sim, ele é pura aventurança, pura consciência, puro existir. SAT CHIT ANANDA. Ele É! Em mim e em você! Ele É, em todos NÓS!
Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Hare, Krishna Hare ...
Escute o coração da criança estrela. Escute, dê a mão para Ela! Ela te dá uma piscadela e vocês saem por aí...A voar por mundos lindos e sombrios, belos e feios, pouco importa! A única preocupação é Ser alegria e risada PURA!
OM Namah Govinda IA ;)
Criança com ares arteira,
Criança com sorriso meigo,
Que vive a virar latas de manteiga
De amor no meu coração leigo.
Menino Krishna brincalhão!
Entre cambalhotas e piadas,
Protege-me das ciladas,
Que a vida e o destino me pregarão!
No Ocidente temos Jesus,
No Oriente temos Buda,
Entre os dois temos a luz,
Que surge do canto a Arjuna!
Não seja tolo espiritualista,
Budista, umbandista ou espiritista.
Abra logo seu coração
E os olhos de lótus todos vocês verão!
Ah Krishna, entre palavras tolas e belas,
A mudez é quem em meu íntimo tem falado.
E é sorrindo que lhe ofereço através dela,
O meu sincero muito Obrigado!
Fernando Sepe *) 4:25 A.M. 8/5/06 - Hare Krishna, Hare Hare...
Escrito por sepe às 03h28
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Dia Vazio... - Parte II
Que deprimente, lembrar que você não é especial em nada é uma baita porrada no ego. No fundo, todo espiritualista que se preze, se acha um pouquinho especial. Acha que é mais protegido, que “sente as coisas”, fala com os vivos que morreram, sua casa é um abrigo, base e hospital extrafísico e assim vai. Pelo menos um sorrisinho de superioridade você dá quando alguém fala que não existe vida após a morte, quando diz que tem medo de morrer e de espírito. Confessa vai!
Eu dou sempre esses sorrisinhos. Muito feio de minha parte, sei disso, mas na madrugada a consciência gosta de acusar. Assim como os desejos reprimidos e tudo mais que faz parte da nossa sombra. Acho que por isso a maioria das barbáries acontecem à noite.
Pensei em jogar um videogame para passar o tempo, mas tá muito frio. E se eu começar agora, provavelmente amanhã não irei à aula. Tentei fazer um poema para minha “companheirinha” de jornada evolutiva, mas nada também. É, hoje, estou um fiasco.
Vixi, cinco da manhã. Preciso dormir. A vida na Terra é complicada, principalmente para um maldito psciano com ascendente em Libra. Indeciso, pensador, “cabeça nas nuvens”, sentimental, romântico, melancólico, solitário, sonhador ao extremo. O mundo não aceita mais Dom Quixotes e Barão de Muchausens. Não tem lugar para Moinhos de Ventos, nem para Titãs de uma perna só. Os sacis morreram, e, junto deles, as Iaras e Mulas-sem-cabeça. Até o famigerado e temido Curupira se foi. O Boto não “pega” mais ninguém. Não existe mais lugar para o folclore, para as lendas e fábulas mágicas.
O Universo está lotado de benditos mestres e malditos doutores. Está lotado de livros pesados, notícias que bombardeiam sua mente o tempo todo. Não dá mais para ser apenas si mesmo. Faculdades proliferam-se por aí, mas ninguém ensina a poesia e arte do palhaço. Incentivar então, nem se fala...Na verdade, a palavra certa é patrocínio.
É...A cabeça lá nas nuvens até que é fácil, eu quero ver você fincar os pés na terra para eles chegarem até o inferno! Existir é o grande presente de Deus. Existir na Terra é o grande "pepino" que Ele te legou...
Podia acabar esse texto totalmente sem sentido com alguma frase de efeito, com alguma lição de moral ou, a pior das hipóteses, com algum incentivo auto-ajuda. Melhor não, seria o rebaixamento total! Para ajudar a viver encarnado, nada como o amigo Sancho Pança e seu incrível realismo e praticidade:
Diálogo Entre Dom Quixote e Sancho Pança – Poesia de Carlos Drummond de Andrade - Poema IV do livro: Impurezas do Branco.
— Juntos na poeira das encruzilhadas conquistaremos a glória. — E de que me serve? — Nossos nomes ressoarão nos sinos de bronze da História. — E de que me serve? — Jamais alguém, nas cinco partidas do mundo será tão grande. — E de que me serve? — As mais inacessíveis princesas se curvarão à nossa passagem. — E de que me serve? — Pelo teu valor e pelo teu fervor terás uma ilha de ouro e esmeralda. — Isto me serve.
Fernando Sepe em solidariedade aos Dom Quixotes modernos, que buscam alguma razão de viver ;)
Escrito por sepe às 04h21
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Dia Vazio...
Apaguei as luzes, aumentei o som, sentei-me em posição confortável, logicamente com a coluna ereta. Estava pronto para mais um contato espiritual, visões, psicografias, qualquer coisa. O incenso defuma o quarto, o New Age falava alto no rádio e eu esperando alguma coisa do plano espiritual.
Dez minutos e nada! Quinze, vinte...
É, hoje to com pouca sintonia_ pensei eu.
Uma grande fome começa a surgir. Talvez fosse alguma sugestão de um assediador, tentando evitar meu contato espiritual. Mas eu não como faz um tempinho, talvez seja fome mesmo.
Resolvi levantar-me e ir comer um pouco. Uma fruta, pois logo vou dormir e assim, isso não vai atrapalhar minha projeção. Abro a geladeira e vejo alguns pedaços de pizza do fim de semana. Nada projetivos, mas muito saborosos. Esquento no microondas três pedaços. Para finalizar, um sorvete de flocos.
Quatro da manhã! Acho que vou engordar alguns quilos...
Um dos meus grandes problemas é a gula. Eu gosto de comer. Quando chega aniversário, ano novo, ou quando bate um remorso, sempre faço aquelas promessas que fazemos para nós mesmos em melhorar. Mas nunca cumprimos isso. Toda vez que me pego fazendo promessas de melhorar nesse sentido, começo a rir. Mais uma vez vou quebrá-las.
Bem, a coisa tá preta mesmo. Preta não, porque algum racista enrustido vai dizer que estou sendo preconceituoso quando utilizo, apenas uma “expressãozinha” popular. A coisa tá difícil, assim fica mais politicamente correto (e hipócrita também). Um frio de rachar em São Paulo, não consigo nem ficar na varanda do apartamento, esperando que o ar fresco e a visão do céu me tragam alguma inspiração.
Estava trabalhando no site espiritualista do grupo, postei bastante coisa bacana de outros autores. Queria escrever alguma coisa, mas acho que num vai dar.
Que dia estranho! Simplesmente o mais parado que eu já vivi nessa atual encarnação. Na faculdade bati meu recorde de mau-humor matinal misturado com falta de paciência com os colegas e aulas chatas. Consegui chegar sem cumprimentar ninguém e sair à francesa. Não falei com ninguém das 7 da manhã até as onze e meia. Volto pra casa, sou simpático com o porteiro de casa. Acho-me extremamente bem-humorado por isso. É uma droga, mas ultimamente andei percebendo que o que a gente acha que “é”, não verdade “não é”, mas sim, “quer ser”! As principais qualidades e defeitos nunca são percebidos pela gente, e, os outros, apenas percebem os defeitos. Relações humanas são muito problemáticas por causa disso...
Voltando, descobri que meu amigo segurança aqui do prédio pediu as contas e não vem mais trabalhar. Uma pena, gostava daquele cara e ele nem veio se despedir. Tudo bem, pelo menos vai ganhar mais e não vai passar frio nas próximas madrugadas.
Na parte espiritual a coisa está pior. Nenhum lance clarividente o dia todo. “Nadica” de nada. Nenhuma percepção parapsíquica, nenhuma intuição, nenhum assediador me sugando energia, nenhum espírito sofredor clamando e chorando, nenhum obsessor querendo vingança. Que tristeza, hoje não vou bancar o super-herói, nem o coitadinho, muito menos o destemido guerreiro de luz. Sou apenas mais um, com a barriga estufada por causa das pizzas e enrolado em dois cobertores por causa do frio.
(Continua...)
Escrito por sepe às 04h20
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Exu de Lei nas Palavras de Seu Pedra Negra
Abaixo, deixo um trecho do livro "Histórias do Povo de Umbanda", psicografada por Edson Gomes. O trecho narrado é contado pelo Exu Serra Negra. Nele, Natan (Serra Negra), começa a aprender o que é ser um Exu de Lei. É instruído pelo Exu Pedra Negra. O diálogo acontece após uma série de acontecimentos onde, Natan, ainda não esclarecido, estava atuando como um kiumba: (Pág.134 e 135; Grifos nossos)
"_ Peste! _ Pedra Negra ergueu a voz _ Tu fez muita coisa ruim, e tá tendo chance de pagar e consertar. Eu já fiz muita coisa ruim, já paguei, já aprendi. Ele não é diferente. Tu não aprendeu nada com o sofrimento de ficar perdido? Tu não entendeu que só colheu aquilo que plantou até aqui? Se tu ainda não aprendeu nada disso ainda tem muito mais pela frente do que imagina.
_ Você também já foi assim?_ olhei para o meu próprio corpo deformado, enquanto perguntava.
_ Não! Eu aceitei logo de princípio. Nota: (aqui Exu Pedra Negra faz referência a aceitar auxílio após o desencarne, coisa que Natan não aceitou).
_ Então você é um espírito elevado! _ afirmei.
_ Não. Eu aceitei, mas isso não pagou o que eu fiz em Terra, não devolveu as vidas que eu tirei.
Olhei com raiva para ele.
_ Não, peste. Não sou melhor que tu por ter aceito primeiro. Já disse, isso não justifica o que fiz. É por isso que hoje aprendo a compensar o que eu fiz “trabalhando” para a elevação espiritual dos outros, como você. Essa é minha função. Eu guardo uma parte do umbral, não permitido que os mais baixos, os menos esclarecidos e os sem luz interfiram na vida dos justos e merecedores. Eu, peste, sou um guardião. Antes das Trevas invadirem a Luz, precisam passar por uma divisão, uma divisão com a mesma força das Trevas, mas que trabalha em nome da Luz. Eu faço parte dessa divisão. Zelo pelo material e por sua proteção. Isso é o que me distingue em Exu-de-Lei de um quiumba. É isso que me faz ser mais forte que você, e é assim que eu cresço rumo à luz. Fica fácil aprender, depois que tu aceita.
_ Você não dá tombo?
_ Não, já disse! Não trabalho pro que é baixo. Se eu fizer alguma coisa, vai ser pra ensinar, não pra derrubar. Não sou quiumba.
_ Você é bem pago?
_ Sou.
_ O que lhe entregam?
_ Nada. O que eu preciso, o que tu precisa, não tem entrega que possa pagar: vem apenas pelo trabalho.
_Então, tu não é bem pago! _ grunhi.
_Não quero ficar no buraco de onde acabei de te buscar. O que te ofereceram te tirou dele?
Fiquei calado. Senti-me pequeno, inútil.
Olhei para cima e vi planos espirituais, imitações de lugares na terra passando.
Nós já havíamos atravessado a camada mais baixa, onde apenas trevas e sombras se moviam, um lugar que chamam de “umbral”.
Entramos em uma penumbra, um lugar de caridade controlada, onde o ar sóbrio e calmo se espalhava. Ele me apontou um prédio alto, em estilo quase gótico, com altas torres e luzes enevoadas.
_Chegamos! Aqui você vai ficar para aprender, para se doutrinar e evoluir. Lá dentro é mais iluminado.
Fiquei olhando as janelas...seu padrão me recordava o Cabaret.
As sombras se alongando até se derreterem na parede oposta..., as velhas sombras das janelas do Cabaret. Assemelhava-se à familiaridade do Cabaret...”
PS: Esse excelente livro conta a história de três espíritos, integrados as falanges de Veludo, Serra Negra e Maria Padilha. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Exu dentro da Lei de Umbanda, é um excelente livro. Acho interessante a maneira simples como Exu Pedra Negra explica o que é ser um Exu de Lei no trecho acima. Esse trecho retrata muito bem também, como os espíritos ligados a egrégora de Umbanda esclarecem os menos favorecidos, sem doutrina pesada, dogmas ou citações religiosas. Além da ênfase que se dá para o trabalho reconstrutor, ao invés do sofrimento descabido (muito naturais das doutrinas extremamente cristãs).
Fica a recomendação dos outros dois livros psicografados pelo autor: Mandinga e Rosário Pelourinho. Edson Gomes deveria ser mais conhecido no meio umbandista, seus livros são bem bacanas. A ele, e aos seus mentores espirituais, nossa homenagem...
Fernando Sepe +++)
Escrito por sepe às 01h44
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A Canção de Adeus da Alma
Quando as últimas notas da Sinfonia do Verão se insinuarem pelo jardim, eu me prepararei para uma viagem. Fecharei o Livro das Horas e colocarei o meu lacre em cima com mão firme.
Nunca mais desta janela verei a casta donzela oriental chegando, corada pelo sono, ou a esquadra desfraldando o Velocino Dourado, navegando para Oeste.
Mas eu nunca os esquecerei; eles estão embalsamados no depósito da Memória; seus presentes estão preservados no santuário do Espírito.
Não precisarei de nenhum ouro para a viagem: somente os tesouros do Amor, os primeiros frutos do Sacrifício. Se não os tiver, partirei de mãos vazias.
Nenhuma crença escrita em papel servirá como um passaporte: somente as Leis da Devoção – Pensamento Correto, Trabalho Correto – gravados pelo escultor da Vida nos pergaminhos do Coração.
Eu deixarei aqueles que me amaram. Suas trêmulas palavras de adeus, guardarei com carinho no coração para sempre. Com minha mão sobre o trinco, sorrindo olharei para trás e lhes darei minha benção.
A terra para onde viajarei não está distante. Embora eu me mude para um novo lar, ainda seremos vizinhos. A cerca que nos separa não é uma mata impenetrável; ela será trespassada pelas flechas do Amor desferidas por um desejo respeitoso.
Eles ouvirão minha voz confortando-os na noite de suas aflições. Minha mão apertará as deles no leme quando eles navegarem por mares perigosos.
E então, quando o Gongo da Noite tocar o amém para o Discurso do Tempo, eu abrirei a porta de par em par e irei para diante dentro da Aurora, cantando.
Como ficará cerrada e silenciosa a casa, depois da minha partida! Ninguém me verá ou ouvirá partir, salvo aqueles que têm visão.
Com sandálias aladas como o Pensamento eu viajarei pela estrada. Levantarei meus olhos para as montanhas coroadas de glória. E lá, no final da viagem, alguém mais bela do que uma rosa, mais terna do que uma mãe, mais compreensiva do que os sábios, estará me esperando.
Minha saudação, apenas estas palavras: “É você, Amor?”
Em resposta, somente estas: “Venha! Sou eu!”
Então, em silêncio, depois da busca, depois de arar, da semeadura, depois da vigília, dos lamentos, da esperança, para os campos da Colheita nós iremos de mãos dadas.”
- Azelda* – (Recebido espiritualmente por Oliver Fox – Texto extraído do livro “Astral Projection – A Record of Out-of-the-Body Experiences”**)
PS: Esse texto é de Oliver Fox um dos mais importantes projetores das décadas de 1920 e 1930. Seu verdadeiro nome era Hugh Callaway. Gosto muito desse texto, na minha singela opinião, um dos mais bonitos que conheço na área espirritualista. Já tinha postado uma vez, mas apaguei o post antigo e coloqueio-o novamente, para que mais pessoas pudessem conhecê-lo. Poesia e espiritualidade universalista de primeira qualidade. Sempre me emociono com ele...
Abraços - Fernando Sepe *)
Escrito por sepe às 00h56
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Espíritos e ETS. Qual o Problema? - Por Jan Vall Ellam
“O que aconteceria com a humanidade terrena se, repentinamente, ela descobrisse que de fato existem espíritos desencarnados que vivem em níveis espirituais ligados à Terra e seres extraterrestres que, habitantes de outros mundos, nos visitam e, quando próximos ao nosso planeta, se projetam com seus corpos especiais nos ambientes que nos envolvem?
E se esses ETs forem muitos desenvolvidos e passarem a trabalhar conjuntamente com os espíritos desencarnados na assistência e orientação fraternas aos que estão encarnados? Pois bem, isso tudo acontece e estamos muito perto dessas verdades se tornarem cientificamente conhecidas. É claro que existem equipes de ETs que trabalham de forma independente, como também há equipes espirituais que atuam sem a componente extraterrestre.
Ao longo do tempo em que foram surgindo as religiões e, em especial quando da Codificação Espírita, não era possível se referir a esses seres pois só a questão dos espíritos – na época da codificação – já provocou problemas de toda ordem, imaginemos o que não teria ocorrido se outra hoste se seres tivesse sido também apresentada naquela época!
Achamos que a Espiritualidade Maior jamais pretendeu inserir o “todo do Pai” em simples movimentos religiosos terrenos feitos por seres tão imperfeitos como somos todos nós. Entretanto, por não constar na Codificação Espírita referências explícitas aos ETs, alguns dos que a abraçam obstaculam de todas as formas, com dogmas até mais fortes do que aqueles que um dia o Espiritismo pretendeu combater, a possibilidades desses irmãos se comunicarem com os terráqueos através de “algum tipo de processo mediúnico”. Mas, quem são os espiritualistas hoje se não aqueles mesmos que ontem estavam a queimar focos de novidades esclarecedoras nas fogueiras inquisitórias?
O Espiritismo não necessita de reformas pois cumpriu, cumpre e cumprirá a função que o desvelado Amor do Pai lhe destinou. Mas, os espíritas sim, como todos os demais seres humanos. Ou simplesmente esquecemos do que Jesus nos avisou quando afirmava que ninguém entraria nos “reinos dos céus” sem se reformar intimamente?
Será que, em sã consciência, alguém acredita que o Pai ou Seus Prepostos “gostam mais” de uma religião terrena em detrimento de outra? Quando é que vamos ter a humildade de espírito para perceber que todos os caminhos nos levam ao Pai, inclusive aqueles que sequer passam por religiões? Se mensagem é fraterna e, se de fato é pelo fruto que se conhece a árvore, por que criar limites tão pobres e tresloucadamente fixados pelo orgulho e ignorância humanas diante do imponderável, se nem sequer sobre o ponderável temos completo conhecimento e controle? E se ainda existirem outras hostes de seres envolvendo a Terra além de espíritos desencarnados e extraterrestres?
Durante muitos séculos, o pensamento dominante entronizou a Terra no centro do universo. Ela nunca esteve e nem foi centro de coisa alguma, a não ser da ignorância e do orgulho nessa parte do cosmos. Será que não estamos fazendo com a questão dos “espíritos” processo semelhante, que nos impede de ver mais além?
A ciência e os fatos sempre atropelam as crenças descabidas que persistem no estéril orgulho dogmático do que se pensa saber através da fé. Assim foi com muitos dos preceitos católicos. Será que o espiritismo terá também que passar por isso? Antes, a culpa era da centralização teológica dos bispos, cardeais e papas. Agora a responsabilidade vai ser de quem?
Como ficará o Espiritismo diante do mundo – e percebamos que o processo de espiritualização planetária está longe de terminar – se seus seguidores continuarem a negar com tanta veemência o “contato mediúnico extraterrestre” se de repente eles aparecerem, objetiva e projecionalmente, diante da percepção de todos?
Será que é impossível existirem espíritos e extraterrestres? O que são os ETs se não espíritos encarnados ou potencializados em outras realidades vibratórias diversas da terrena? Afinal, qual o problema?
JAN VAL ELLAM
Escrito por sepe às 00h35
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Nas Sombras do Mar - Parte III
É certo que muitos espíritos ainda continuavam na dor e no sofrimento naquela praia, localizada em uma dimensão espiritual “negativa” ligada ao mar, mas todo o trabalho ali realizado tinha, com certeza, “aliviado” muito a barra, afinal, tudo tem o seu tempo. Com certeza outros trabalhos como aquele, acontecerão outras vezes.
Aos poucos, aquelas encantadas do mar começaram a se retirar. Vi ainda, quando uma, que trazia uma pequena coroa em sua cabeça, volitou até o barco e trouxe um objeto brilhante para aquelas falanges de marinheiros. Não sei o que era, pois não consegui divisar muito bem, mas eles vibraram muito...
Eu estava volitando um pouco acima do barco, quando o toque de partida foi dado. Ia pousar nele, quando o marinheiro, que tinha patrocinado a visita até aquele ambiente, disse-me:
_Aonde você pensa que vai?
_Ué, vou com vocês! _ Respondi eufórico...
_Hahaha, era só o que me faltava mesmo. Você vai é voltar para seu corpo físico e escrever tudo o que passou aqui. O combinado era esse, lembra? Além do mais, vai ser um milagre você lembrar tudo que se passou, mesmo com a lucidez do momento.
_ Ah tá..._ Exclamei meio decepcionado!
_ E não adianta fazer essa cara não, “Espumosa”! _ Esse era um apelido que ele tinha me dado, devido a minha cor “amarela”.
_ Falando sério, concentra agora em não perder essa experiência quando acordar. Ela traz alguns lances importantes para o pessoal. Quando acordar senta um pouco quieto e tenta rememorar tudo. Mesmo que os rostos ou uma ou outra coisa sumam de sua memória, persiste e escreve!
_Tá certo, vou fazer o melhor que puder...
Dei um abraço no marinheiro, que apesar de ser meio sarcástico e ter um jeitão estranho, era alguém que trazia algo muito bom dentro do campo dos sentimentos. Fiquei emocionado, e antes que eu pagasse o mico de chorar ali na frente dele, o que com certeza iria virar motivo de piada, concentrei-me em voltar ao corpo sem perder a lembrança da experiência. O marinheiro ministrou alguns passes na região da nuca e da cabeça extrafísica. Senti o puxão do cordão de prata, com uma grande sensação de queda posteriormente. Acordei aqui no meu quarto. Ainda estava tocando o CD de relaxamento que eu deixei rolando, enquanto tentava me projetar...
“Olha o canto triste do mar
É marinheiro que se põe a navegar,
Pelos sete mares, na madrugada
Do reino de Iemanjá...
Faça uma oração
Escute a sereia cantar
E veja a bandeira negra, com a espada que corta o mar
E veja a bandeira negra, com a caveira que assombra o luar
Seu marinheiro e e á
Na sua força eu aprendo a caminhar
Seu marinheiro e e á
Me dê sua mão, e me ensine a velejar...”
Fernando Sepe 03/05/06 - 5:11 A. M - Em homenagem a todo o povo do Mar, agradecendo a oportunidade... *+)
Escrito por sepe às 18h22
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Nas Sombras do Mar - Parte II
_Hahaha, aqui começa a sua parte também, ou você achou que eu ia te trazer aqui para você ficar olhando. Vamos trabalhar rapaz!
E começamos todos a levar muitos daqueles espíritos sofredores para dentro do barco. Usávamos da volitação e o processo era bem rápido. Alguns em estado mais complicado eram tratados ali mesmo. Como sempre, pude ver que não apenas desencarnados trabalhavam, mas também muitos encarnados projetados. Inclusive pessoas bem conhecidas minha, como o médium do marinheiro que me levou até lá.
Em um ou outro lugar, alguns verdugos, espíritos bem fortes e perversos tentavam impedir o resgate realizado, mas eram reprimidos tanto pelos marinheiros como pelos exus guardiões que desceram juntos do barco. Depois de algum tempo, ninguém mais demonstrava muita coragem de tentar alguma coisa.
Para minha surpresa, em determinado momento, estava auxiliando um espírito extremamente violento a subir no barco, quando ele me “reconheceu” e começou a me ofender. O amigo marinheiro prostou-se ao meu lado e disse:
_Esse aí foi mandado para cá naquele dia de trabalho espiritual. Muitos dos que estão aqui vêm dos trabalhos de limpeza e desobsessão realizados pelos terreiros de Umbanda aí afora. Por isso, talvez você encontre mais algum “amiguinho” por aí, hehehe...
Bom, não encontrei mais nenhum, mas anotei mentalmente isso, pois tinha tudo a ver com o que os guias a tempo me passavam em relação ao auxílio dos espíritos que, muitas vezes, são arrastados para as trevas nos embates e demandas espirituais. Coisa que pouco umbandista têm olhos para ver, e muito menos vontade de auxiliar.
Passado algum tempo, lá do alto do navio, um dos marinheiros soou uma corneta que fez um barulho ensurdecedor. Era o toque de retirada. Aqueles que deviam ser auxiliados já tinham sido colocados a bordo. Era hora de retirar-se. Devo explicar que aquele barco era um grande veículo de transporte em massa para espíritos sofredores. Feito de matéria astral a partir da força mental de toda aquela egrégora conhecida como “marinheiros”, que atuavam, amparados por mamãe Iemanjá, para o auxílio do próximo. A partir dele, aqueles espíritos seriam transportados para outros lugares de assistência e socorro espiritual. Novamente lembrei-me do espírito André Luiz e das “Casas Transitórias”. Ali, era algo parecido.
Quando todos nós volitamos para dentro do navio algo inesperado ocorreu. Belas mulheres começaram a sair do mar. Traziam uma luminosidade incrível, de um azul safirino muito belo. Centenas delas, iluminando toda a costa da triste praia. Fiquei emocionado, seriam elas as tais sereias, encantadas de mamãe Iemanjá que nós víamos cantar nos terreiros de Umbanda por aí afora?
_Salve as Sereias! _um dos marinheiros gritou!
_Salve! _Gritamos todos nós em uníssono som.
E elas colocaram-se a cantar. Devo dizer que era uma melodia incrível. Não se escutava com a audição espiritual, não, era muito sutil para iso. Escutava-se com o centro de força cardíaco, e tanto era assim, que no centro do peito de todos nós, um brilho azulado surgiu. O canto das sereias ia como uma grande onda limpando a atmosfera energética da praia. A Lua parecia menos agressiva agora, e as trevas dissiparam-se um pouco. Uma pena, mas a maioria dos espíritos ali presentes na praia não conseguia nem mesmo perceber a divina melodia, presos em seus próprios pensamentos e culpas. Mas aquela energia emanada do canto, decaía sobre o corpo espiritual de todos eles, como bálsamo para sua feridas e chagas emocionais. De alguma forma, que estava além da minha compreensão, isso trazia mais lucidez e equilíbrio emocional para aqueles espíritos.
O “lixão” também foi alcançado por aquele canto e o duplo dos objetos, assim como as formas pensamento, larvas astrais e as cargas psíquicas negativas foram sendo diluídas. O encantador canto das sereias realizava um incrível trabalho de transmutação energética no ambiente. Algo muito semelhante, apesar de ser em muito maior escala, com o que acontece nos terreiros de Umbanda, que tem liberdade para chamar essa linha. Quando manifestadas nos médiuns, as sereias emitem suas vibrações e o médium, atuando como um catalisador delas, coloca-as no mesmo tônus vibratório de todas as pessoas da assistência nos terreiros. Algo simples e eficaz, mas que toca diretamente o coração com grande força realizadora.
(Continua...)
Escrito por sepe às 18h20
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Nas Sombras do Mar
Existem muitas coisas que acontecem nos bastidores de um trabalho espiritual, pena que as pessoas normalmente estão totalmente cegas para isso. Um centro, terreiro, igreja, templo, ou outro local onde as pessoas reúnam-se diariamente com objetivos sadios, com a intenção de crescer e vibrar luz e amor sobre a atmosfera de trevas terrestre, é sempre apenas o “meio”, um dos muitos anéis da corrente espiritual, que se começa lá no alto do altíssimo, termina no mais escuro e sombrio abismo. Do alto, as inspirações superiores chegam, no “meio” elas tomam forma e viram atividades de luz, e lá embaixo, essa luz começa a rasgar as trevas...
Durante à noite tenho uma saída consciente para fora do corpo físico. No começo não diviso muito bem onde estou, nem mesmo quem me conduz. Mas a simples noção de que estou fora do corpo físico, já é o suficiente para melhorar incrivelmente minha lucidez. Percebo então que sou conduzido por uma entidade, um guia espiritual. Relembro de uma gira de Umbanda a qual participei alguns dias atrás, e do convite que ele me fez. Realmente ele veio me buscar, conforme o prometido, para esclarecer um pouco sobre o outro lado dos trabalhos espirituais.
Estamos volitando acima de uma praia, bem em baixo da Lua, que, de cima, brilhava de forma incrivelmente estranha nesse lugar, parecendo mais sombria, mais selvagem. A paisagem também, ao contrário do que possa parecer, não é nada amistosa. Milhares de espíritos desencarnados rastejam pela praia, outros, completamente loucos, degladíam-se sem motivo aparente. Gritos de pavor misturam-se a gritos de socorro. Lamentos, choros, gemidos. Começo a me sentir um pouco mal com aquelas vibrações e perco um pouco de minha lucidez mental. A entidade guia segura firme meu braço e transmite-me energias que trazem maior firmeza e segurança. Nós estamos descendo...
Lentamente pousamos e vamos andando para que então, eu possa visualizar melhor a extensão do problema. Realmente lá estão espíritos de homens e mulheres, todos perdidos e alucinados por suas próprias consciências. O sofrimento consciencial e emocional que muitas pessoas passam após o desencarne é terrível. Alguns golpes de vento começam se abater sobre nós, algo violento e ameaçador, trazendo um cheiro pestilento. Mas continuamos andando. Na verdade estou diretamente atrás do meu guia naquelas estranhas paragens marítimas.
Em dado momento, ele pede para aproximar-me, mostrando algo inusitado. Estamos frente a frente com um “grande lixão” na praia. Mas, o mais curioso, são as coisas presentes nesse lixão: velas, espelhos, fitas, garrafas, restos animais, alguidares, etc, etc. Tudo elemento utilizado em trabalhos, e pela energia ali presente, trabalhos realizados com intenções negativas. O ambiente está infestado da carga psíquica doentia que existe, como intenção, por detrás desses trabalhos. Larvas astrais, criaturas estranhas, formas-pensamento, espíritos agarrados a essas energias, massas energéticas escuras. Tinha de tudo lá. Antes que eu perguntasse algo, o guia veio a esclarecer:
_ Isso aqui é um “lixão”, com as sobras energéticas dos trabalhos realizados a beira-mar. Todo elemento depositado a beira-mar em processos de magia, contém um duplo energético, uma contraparte etérica, que fica a partir do astral vibrando, acumulando e projetando energias, no sentido de realizar o intento do mago operante. O trabalho pode ser retirado na matéria, mas no duplo da praia ele ainda assim fica vibrando, até que seja desmanchado ou realize o seu intento. Aqui é um local para onde são trazidos esses tipos de sobra energética dos trabalhos negativos, onde, ou essas energias muito densas serão anuladas pelo magnetismo ambiente, ou serão transmutadas e utilizadas com outros objetivos. Aqui também podem ser despejadas as energias negativas descarregadas a beira-mar, através de trabalhos com os irmãos Exus e Pombagiras. O trabalho recolhe as energias e despeja aqui, que como eu disse, ou serão anuladas ou transmutadas...
_ Entendi. Mas então, isso deve acontecer também com as oferendas e trabalhos realizados por nós umbandistas, para os Orixás e as linhas de direita _ perguntei.
_ Não, pois quando o trabalho é dessa ordem, existe uma sutilização das energias dos elementos e total aproveitamento delas, seja em benefício da própria pessoa, seja em benefício de outras pessoas. O duplo dos elementos ou é totalmente utilizado, ou é transportado para outros lugares, afins com o trabalho e a energia movimentada. Além disso, esses elementos serão recebidos por entidades e espíritos da natureza, pertencentes a planos espirituais elevados, que atuarão com a energia a disposição em outros sentidos. A única preocupação com esses tipos de trabalho deve ser em relação à praia material, pois essa sim, pode ficar poluída.
_Certo, mas aonde é que estamos afinal?
_ Todo reino da natureza, é habitado por muito mais inteligências que os olhos humanos podem ver. Assim como os rios, as montanhas, as matas, o oceano é portal de acesso e desembocadura de muitas dimensões espirituais e naturais. Nós estamos em um dos muitos planos negativos ligados ao mar e a energia das águas. Muitos espíritos complicados, viciados, loucos, são atraídos por afinidade e, a partir de seus desequilíbrios emocionais, plasmam coletivamente esse ambiente terrível que você vê. As inteligências superiores deixam que isso aconteça, pois, aqui, próximo aos reinos naturais, existem poderosos recursos energéticos para auxílio desses irmãos. E assim também acontece com as montanhas, com as matas, etc. Também a partir daqui, espíritos da natureza poderão atuar em auxílio do próximo.
Pensei o quão interessante era tudo aquilo. Lembrei-me na hora de um romance umbandista que eu tinha lido, onde um espírito denominado Cavaleiro da Estrela Guia levava muitos outros para serem curados com o auxílio da vibração marítima. Lembrei também do espírito André Luís, comentando veladamente em um dos seus livros, um trabalho de cura com as energias e espíritos ligados ao reino vegetal.
O Marinheiro que tinha sido meu guia até o momento, tirou-me do devaneio chamando atenção para uma movimentação que ocorria na praia. Um navio aproximava-se da costa. Era um grande navio, mas com um estilo um pouco rústico, antigo, talvez seja a palavra mais correta. Uma grande bandeira negra hasteada podia ser vista. Parecia mais um navio pirata. Dele, muitos espíritos com a roupagem que na Umbanda chamamos de Marinheiros desciam. Era um trabalho de resgate.
(Continua...)
Escrito por sepe às 18h20
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